Família. Segundo Aristóteles o Estado é formado pelo ajuntamento, comunhão, interação, coexistência delas. Não com essas palavras, mas diz isso. Nossa casa, nossa família, é o primeiro contato com o que é sociedade. Compartilhamos de um espaço com regras de conduta e de tratamento. Temos limites impostos por aqueles que representam a autoridade familiar.
Um fato é que a sociedade é o reflexo do que ocorre entre os domínios do lar. Como um quebra cabeças. Nossa casa é uma peça na figura macro que é a sociedade. O que sofremos como família reflete na sociedade. A célula/família uma vez doente, debilita o corpo/sociedade. Então, concluo que, falar da família é falar da sociedade. Então vamos à minha.
Sou filho de muitas mães, sobrinho de muitas tias, neto de uma só avó, primo de muitos primos/irmãos, irmão de muitos irmãos/primos e marido de uma só (até que nos convertamos ao Islã). Você pode estar sentindo falta de “pai” nesse parágrafo, mas eu não sinto essa falta nem no parágrafo nem na minha vida. Hoje, não mais. Não o conheço nem por foto. Olhar pra mim e imaginá-lo me basta. Minha família se é resumo de sociedade, nunca foi idealizada por nenhum Karl Marx, nem Weber ou Durkheim.
Parece que vamos degenerando, vamos perdendo-nos, não nos sentindo mais. Mas, ora, estou falando de quem agora? Falo da sociedade, que se fecha e que não vê as suas doenças, suas feridas cobertas de pequenos mosquitos chatos e que nada cobre o suficiente para que não as permita pousar e contribuir pra infeccionar. Mas, ora, isso também serviria para falar de família. De crônica parece que passo à filosofia neste momento. E já que usei Aristóteles no início, usarei de novo, para filosofar. Ele, Aristóteles, diz que a família se divide em homem, mulher, filhos e escravos. Mas, eu diria que hoje nossa família se divide em homem escravo de si, mulher escrava da casa e filhos escravos do mundo. De um modo geral.
A sociedade em que vivemos, disfuncional como está, não encontra pai e nem mãe que tenha pulso. O que temos por família hoje, disfuncional como está, não encontra governante que tenha pulso.
Falo de quê agora? Família ou Sociedade? Falar de um é falar de outro? Então, vamos mais uma vez á minha família.
Um de meus irmãos, que mais acima cito como irmão/primo, pois vivendo tão distante, estando tão perto, tem em mim um sentimento de primo que não encontro mais. Uma doença já o afetou. E não tem cura. Meu irmão é hoje, mais um usuário de drogas. E acaba de ser preso por conta disso. E pergunto: Minha sociedade está doente? Ou minha família está doente? Ou, todos nós (família) estamos doentes junto com ele? Ou todos nós sociedade estamos doentes como ele? Ou a sociedade já não sente esse tipo de doença, se acostumou? Anestesiou-se? Está imune ao remorso, à compaixão?
O que eu sei é que enquanto a minha família não sofrer com mazela alguma, eu fico bem, de bem. Mas quando ela se vê de cara com seu mal, dói como se a dor fosse de uma multidão. Como se fosse a dor de uma sociedade inteira.
Vê-se nas esquinas, vários casos como o do meu irmão. E vários irmãos fazendo pouco caso. E vários casos sem solução.
Falei de quê mesmo? De sociedade ou de família?
Da sua ou da minha?
Droga! Eu não entendo esse texto!





