quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Por Nós!

Quando alguém diz algo do tipo: “Teu blog é político”. Fico pensando, depois de responder “talvez”, o que todos nós entendemos sobre política. Será que eu entendo o que é política? Até onde somos seres “políticos” ou “apolíticos”. Existe realmente o “apolítico”? Enfim, tantas questões que nem sei se entendo. Mas tento.
Estamos num ano eleitoral. Já vivemos um clima de batalha. O twitter pela primeira vez será visto como uma ferramenta importante e forte para o processo eleitoral. Talvez, também por conta do micro-blog, os Blogs terão uma atenção maior. Um ano que promete.

Quando a Política é definida por Aurélio Buarque como “1. Conjunto dos fenômenos e das práticas relativos ao Estado ou a uma sociedade. 2. Arte e ciência de bem governar, de cuidar dos negócios públicos.” Lá, entre outras definições, explica mas ainda fica alguma coisa no ar.

Ela é arte. Disso eu não abro mão de dizer. E é uma arte que se municia de outras artes para um fim que pode ser de conveniência pessoal, de um grupo, religiosa ou moral e etc. Há quem a defina como “exercício de poder”. O poder que emana do povo. Esse “poder” altera nossa vida mesmo quando pensamos estar distanciados disso tudo. Surge o “apolítico”. Alguém que afirma não querer nem ouvir falar de política e Políticos. Pensa estar guardado em seu muro “apolítico”. Mas, esse, cumpre muito bem a vontade do “eleito aproveitador” que espera eleitores de muros erguidos para que não seja visto seus atos de política/poder perverso. O “eleito aproveitador” nunca quer oposição às suas vontades e quando um “apolítico” se abstém de enxergar, concede total “poder” ao aproveitador.

Sobre isso, João Ubaldo em seu livro POLÍTICA – Quem manda Porque manda Como manda diz o seguinte: “Assim, quando estamos pensando em cuidar de nossa vida
apenas, sendo “apolíticos”, na verdade estamos somente com a vista
curta ou então somos comodistas, não achando que as coisas estão
tão ruins assim, para que procuremos fazer algo para mudá-las.
Quando alguém diz, como é freqüente lermos em entrevistas
aos jornais, que “não liga para a Política”, está naturalmente
exercendo um direito que lhe é facultado pelo sistema político em
que vive. Ou seja, em última análise, está sendo um político
conservador, não vê necessidade de mudanças. Então não é
apolítico, palavra que indica “ausência de Política”. No máximo, faltalhe
a consciência de seu significado e papel político — significado e
papel que todos têm —, uma coisa muito diferente. Pois o apolítico
não existe, é somente uma maneira de falar, por assim dizer.”

Não podemos nos distanciar dela, a política. Ela mexe conosco, mexe com nossa terra, mexe com o nosso futuro e assim sempre será. Esse ano será de urnas. E isso é importante. Mas é algo de um grau menor. Pois nas urnas só teremos o resultado de um processo que vem de tempos antes desse dia. Um processo que se inicia lá nas eleições do partido, passa pela análise dos atos com objetivo eleitoral do candidato, passa pela exposição de propostas, percepção do eleitor sobre essas propostas e se é o momento para que aquele candidato efetue esses planos. Enfim, as urnas vão dizer apenas o resultado.
Não quero dizer que domino ou que entendo facilmente a Arte. Só quero dizer que essa arte nos alcança mesmo quando não queremos, ou mesmo quando pensamos nela apenas antes de digitar os números na urna.
Por mais complexo que seja, por mais sujeira que possamos encontrar nisso. Devemos, pelo menos, por compaixão de nossa terra, nos interessar um tanto nos nossos próximos quatro anos. Para que vivamos um pouco melhor, para que aqui nossos filhos possam viver bem.

Política é coisa nossa, por nós, coletivo.

Se importe - por nós.
Pense nisso - por nós.


Em breve um nasCrônicas modificado. Melhor, mais organizado e mais bonito. Por nós!

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Filho acabou o carnaval.


A “prova” de que Ele ajuda a quem cedo madruga. 
 
Eis que Deus escreve a um filho.

Meu filho, passe sua farda e coloque novamente o relógio para te despertar enquanto o céu ainda estiver azul turquesa, caminhando para o clarear. Torça pra que o motorista do teu transporte lembre disso também e chegue na hora certa. Vista-se mesmo estando ainda de olhos fechados. Olhos esses que já haviam se acostumado a ver o tom bege da luz do sol das nove da manhã invadir teu quarto. Vá com alegria bater o teu ponto, abra seu armário, pegue suas luvas pretas de poeira e ande em direção a tua linha de produção. Cumprimente o colega da direita, o que cola o adesivo e o da tua esquerda o que aperta o parafuso. Vibre por ouvir tua esteira zunindo de novo. Bata a meta do dia, faça seu supervisor contente e não recuse o convite à hora extra. Fique por mais algum tempo produzindo acelerado, pois assim, no extra das tuas horas os teus vencimentos vão aumentar e o parcelamento da máquina de lavar que apontava 24 meses, será aliviado. Espere a sirene gritar o fim dos teus movimentos repetitivos de hoje e tira as luvas. Enxugue o suor do teu rosto com a manga da tua camisa e respire fundo, pois acabou o dia. Bata o ponto final do teu dia na máquina que contou as tuas horas intensas de produção. Olha pro céu, meu filho, ele está azul turquesa novamente, mas só um pouco mais escuro, pois já caminhamos pra mais uma noite. Se banhe, beije sua mulher, troque alguns passes de bola com teu filho e assista a novela e durma antes de conseguir ver o último capítulo. Durma o sono do trabalhador. E sonhe algo que te dê felicidade, pode ser com o carnaval que acabou ontem. Mas durma meu filho.

Filho meu, é importante que não durma antes de colocar o relógio para te despertar, logo mais. Filho! Filho...


Uma homenagem aos guerreiros, filhos de Deus que trabalham no Polo Industrial de Manaus. Um dia já vesti a mesma farda que esses queridos.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Quarta, de cinzas


Um dia, eu prometo gostar de carnaval. Hoje, não me agrada. Como tantas outras coisas não me agradam. Coisa de gente com alma sem graça. Coisa de gente que adora ser chato. Mas como diria Caetano Veloso, “atrás do trio elétrico só não vai quem já morreu” é preciso, pelo menos, dizer o óbvio, o Brasil é carnaval.

Compramos uma fantasia, usamos máscara, pagamos um bom dinheiro por um bom lugar com pessoas bonitas. Daí, amassos de carnaval, porres de carnaval, brigas de carnaval e todo carnaval que compõe o carnaval. O país da alegria de viver. O povo sofrido tira uma semana, outros mais tempo do que isso, para afogar as mágoas, espantar as tristezas e se entregar ao prazer de viver todas as delícias hoje, agora, já, e com ela – a cerveja gelada, a mulher desejada, a orgia sonhada, a bateria da escola, a velocidade máxima... E isso, de modo algum, é de se dizer que seja ruim, muito pelo contrário, é a dose máxima do que há de mais prazeroso. Sim, temos o direito de festejar. Não há quem não recorra ao pensamento da recompensa. “Trabalho tanto, eu mereço essa noite!”. Sim, merece sim.
Merece essa noite e todas as outras. Tem todo o direito de fazer ser inesquecível o beijo misturado com confetes, a dança mais maluca que os vários litros já bebidos te impeliram a dançar, o soco que levou pelo beijo que roubou da namoradinha do carinha mais marrento do salão. Você tem o aval, faça.
Mas, como diria um jovem cantor: “Todo carnaval tem seu fim”. Chega a hora de tirar a fantasia, a máscara. Hora de olhar bem e sem o entorpecer do álcool, a “princesa” que ardeu com você na fogueira da cama nessa noite de terça pra quarta. E só aí, nesse momento, fitando no espelho do teto os teus olhos vermelhos como que alarmando o teu cansaço, que você vai pensar por qual motivo chamam esse dia - quarta-feira de cinzas.


Todo carnaval tem seu fim.          

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Twitter - não é pra qualquer um.


Desde o surgimento da Internet, há cerca de 15 anos, que a informação se tornou fluida, de longo alcance e de pouca durabilidade, efêmera até como prefere alguns. Naturalmente que fica o registro e pode ser resgatado a qualquer momento. Basta “googlar” e em instantes os links são restabelecidos e a informação é relembrada.
            Mas o fenômeno mais recente são as redes sociais. Começou com o *IRC, depois veio o MSN, orkut, facebook, e notoriamente o twitter. Este último com um elemento de interatividade altíssimo que cria nichos, entremeia conceitos, idéias, grupos, tendências e, para alguns, tem se mostrado uma verdadeira praga. Grupos empresariais estão utilizando esta poderosa ferramenta que ganhou notoriedade quando auxiliou o presidente Barak Obama a atingir o público mais jovem.
            Em Manaus o twitter vem conquistando espaço e notoriedade. Mesmo não tendo acessibilidade em todas as classes sociais, ganha força no que diz respeito à difusão de idéias, defesa de direitos, campanhas beneficentes, merchandising, sátira, crítica, enfim, cidadania. Mas não vem sendo bem recebida pelo poder público. Sempre avesso às críticas da oposição, está menos ainda acostumado a receber comentários do cidadão comum.
            Não é à toa que as críticas surgem e causam estragos. Como o próprio poder público não oportuniza a classe média-baixa e baixa ao computador e, menos ainda, à internet, sobram aos que possuem um grau de escolaridade mais alto e, por conseqüência, com poder de crítica mais aguçada, independente do assistencialismo, para discutir os assuntos do dia.
            Foi-se o tempo em que as decisões governamentais passavam apenas entre as esferas do poder. Foi-se o tempo em que os veículos de comunicação apenas reverberavam as decisões sem emitir opinião ou fazer juízo de valor. Foi-se o tempo em que as coisas aconteciam e a classe média-alta apenas discutia o assunto no bar. Com as redes sociais e, em especial o twitter, nada mais passa desapercebido. O que se discute nos poderes executivo, judiciário e legislativo ganham as redes quase que instantaneamente.
            E não adianta os veículos de comunicação extra-oficiais apenas difundir o que ficou decidido. Estes veículos, aqueles que jamais fazem uma crítica que seja ao poder público; aqueles que ficam apenas de porta-vozes têm um alcance limitado. Se eles atingem a população em forma de progressão aritmética, nas redes sociais o alcance é em forma geométrica. O nome diz tudo: redes (várias linhas que se entremeiam, se entrelaçam e se juntam pra formar uma cadeia interligada) sociais (que une vários segmentos, várias ideologias, várias raças, vários credos).
            Estas redes não possuem identidade jurídica e nem forma física. Portanto fica difícil de atingi-las de uma forma integral, por completo. Daí querer se atingi-las através de uma pessoa. Isto foi feito em duas situações por um único elemento. Sabidamente porta-voz do poder público, não foi bem aceito na rede e por isso partiu para a agressão de forma venal, caluniosa, injuriosa, difamante.
Fazer pressão junto ao empregador remonta os tempos de ditadura. Mas este tempo já passou. Não deu certo. Serviu apenas para mostrar que o que acontece aqui pode repercutir nacionalmente. Ganhou dimensão nacional e o pânico se espalhou nos altos escalões. A força bruta não tem como vencer a irreverência, inteligência e a criatividade. Tampouco a solidariedade.
Quem era um tuíteiro cretino passou a ser fuxiqueiro. Estava todo mundo quieto. Pensavam que num sábado à noite estariam todos se divertindo e poderiam falar tudo à “boca miúda”, como disse um analista de aluguel, para que não tivesse grande repercussão. Ledo engano ou, como eu prefiro, erro crasso. Não apenas deu mais visibilidade à ferramenta como também deu novas formas (camisetas, bonés, adesivos e todo tipo de material que sirva para difundir a idéia) a um movimento que começou sem pretensão, mas que agora ganha dimensões sequer inimagináveis. Viva os fuxiqueiros!

 Robson Franco/@robsonfranco

MIRC é um cliente e não a rede. A rede é *IRC. (contribuição do @brunnoihoax)

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