segunda-feira, 15 de março de 2010

Eu quis cada coisa!

Quando criança, eu quis ser piloto de fórmula 1. Eu quis ser piloto não pelo óbvio, que seria correr e chegar às mais altas velocidades. Não. Eu queria ser piloto pra ser patrocinado. Pra caminhar entre as pessoas com uma roupa diferente e cheia de logotipos. E usar um capacete verde e preto com uma estrela em cima.

Eu quis ser astronauta. Mas não pelo motivo óbvio, que seria ver a terra pequenina e flutuar. Não. Eu queria ser astronauta para me despedir das pessoas antes de entrar no ônibus espacial e fazer um gesto que marcasse, como um beijo na bandeira nacional.

Eu quis ser goleiro. Mas não pelo motivo óbvio, que seria ganhar dinheiro jogando bola. Não. Eu queria ser goleiro pra fazer uma defesa, apontar pra torcida e beijar o escudo do meu time. E lógico, ser patrocinado, claro.

Depois de um tempo. Eu percebi que daria muito trabalho ser essas coisas que eu sonhava. Pensei em algo mais fácil. Pensei em ser cobrador de ônibus. Ficar passeando, sentado, e recebendo dinheiro. Depois vi que era preciso passar o troco, e matemática eu sempre odiei. Fui mais à frente. Vou ser motorista de ônibus. Passear e ainda ser idolatrado pelas crianças que sentam no banco logo atrás dele, naquele mais alto. Depois, percebi que a janela do motorista era pequena demais e ele suava muito, ainda mais num ônibus com um ar-condicionado que não funcionava. Desisti.
Pensei nas coisas que eu mais gostava. Pensei em vender papagaio (pipa), pra ter quantos eu quisesse. Depois vi que papagaio não era coisa que durava muito tempo. Eu ganharia por alguns meses só. Seria pouco dinheiro. Desisti.
Eu queria algo fácil, porém, emocionante. Emocionante, mas seguro. Seguro, mas heróico. Heróico, mas não tanto.

Foi quando eu vi na TV o que eu queria ser! Eu vi um homem bem vestido falando manso. Suas palavras eram tão bem recebidas na minha mente, que eu quis que aquele homem realmente fosse atendido em seu pedido. Ele falava e seus olhos acompanhavam as palavras entre um semicerrar quando eram palavras de paz e um arregalar quando eram palavras de ordem. Ele se mostrou tão amigo. A música ao fundo era tão bem tocada, rolava uma emoção quando se falava de esperança. Depois, para elevar o clima para um momento de celebração de um novo tempo, tocava uma música empolgante com o nome daquele homem. Uma música tão legal que a gente canta antes de dormir e gargalha de tão legal que era. Aquele homem disse tanto ao meu coraçãozinho pré-adolescente que eu determinei naquele momento, dizendo em voz alta - Eu quero ser político!

Eu quis ser político, mas não pelos motivos óbvios, que seriam o dinheiro fácil, viagens, mulheres, casas, carros, gasolina de graça, férias, segunda-feira nunca mais e ser amado pelos eleitores. Não. Eu quis ser político pra ter uma musiquinha com meu nome e um boneco com minha cara e, óbvio, ser patrocinado.

Obrigado meu Deus! Por eu ter sido sempre um bobo.
E por um tempo não saber exatamente o que eu queria.

8 comentários:

  1. Pô, valeu Bentes. Tava ficando chato só o meu nome ali nos últimos comentários...

    Sempre disse que esse menino tem futuro com as palavras, já que não joga futebol, não torce pr'um time que preste e nem no videogame tem talento algum...

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  2. Rodrigo (@ocronico)Mar 16, 2010 01:34 PM

    Tem gente que fala demais! rs

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  3. Claro que eu tive que vir aqui conferir o texto. Muito bom mesmo, Crônico!! Adorei! O General Não Senhor tem razão. Vc tem futuro! =D

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  4. Adorei o seu texto. Muito bom ^^
    Parabéns!

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  5. Nem precisa falar que o texto ta bom né?!

    Todos ja falaram,.

    Parabens.

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  6. Lendo sua crônica pensei um pouco mais sobre os motivos pra ter desistido...
    Para ser piloto de fórmula 1 precisaria já ter um bom patrocínio ou ser um fora de série e ter aprendido "cedo" a dirigir o que não foi o caso...
    Para ser astronauta teria que ter levado mais a sério as experiencias plantando feijão no algodão como o nosso primeiro e unico astronauta brasileiro.
    No "ramo de transporte" teria que ser menos estressado...
    Para ser goleiro precisa gostar muito de futebol e estar disposto a sofrer como tal...
    Para vender papagaio... talves... hum... bem, eu conheço um que esta bem de grana...
    Para ser político tem que gostar de falar o que acho... não é bem o caso.
    acho e você achou o que fazer;,;, e faz muito bem mesmo que, ainda sem patrocínio.
    Parabéns.
    (o sogro)

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